Time to stop electing bastards to be our leaders

Em período de eleições — como o que vivemos recentemente com a Eleição para o Presidente da República 2021 — tenho por hábito apelar nas redes sociais para que não fiquem em casa. Para serem uma voz ativa, exercendo o vosso dever enquanto cidadãos. Sou contra os ativistas de sofá, ou aqueles que até vão às manifs, mas quando é altura de exercer a sua cidadania, ficam no conforto dos seus lares, por acreditarem que os seus votos não farão diferença alguma no resultado final. E a verdade é que são milhares de pessoas com esse mesmo mindset. 

A MINHA VIAGEM A MINNEAPOLIS

Durante este ano difícil de pandemia, revivi muito o que vivi até hoje. Porquê? Porque andei a criar este meu novo site! Então, recuei no tempo na minha história e voltei a olhar para as minhas fotos antigas, como as de 2016 (ano em que estive a estudar em Minnesota). Tive um aperto enorme no coração. O Estado onde George Floyd foi assassinado no terrível ano de 2020… eu conheci Minneapolis de uma ponta à outra! Visitei todas as instituições importantes daquela cidade e fui tratada com o mais elevado requinte, num programa criado por Obama, que levava jovens líderes africanos para aprenderem com modelos de liderança nos EUA.

Irónico, não é? Porque em finais de 2016, após o meu regresso dos EUA, Trump acabou por ser eleito e o caos instalou-se. Os primeiros meses foram de pura estupefacção, com todas as suas peripécias que fomos assistindo, sem fazer quase nada. Apenas sendo espectadores. Eu só dizia: God, ele está a mandar para o ar o legado da administração Obama!

E não é que foi mesmo? Não sou historiadora, mas consigo ver os EUA antes e pós Obama. Consigo ver um mundo antes e pós Trump. 

QUATRO ANOS DE TRUMP

E a pergunta que não se cala é? Os afroamericanos também elegeram Donald Trump. Sim. Muitos deles contribuíram para que ele lá chegasse. Com excepção daqueles que, não sendo cidadãos, não podiam exercer o direito de voto, milhares de afroamericanos ficaram em casa. Escolheram não exercer o seu direito de voto, pelos motivos que apontei acima! E outros até votaram em Trump por não quererem eleger Hilary, pelo simples facto de ser mulher. Porque ela não seria competente o suficiente para liderar aquela potência!

Este ano começa com uma nova História — a eleição de Biden! — mas cheio de feridas por sarar, geradas nestes últimos 4 anos.

E A NOSSA REALIDADE?

E a verdade é que, transpondo isso para a nossa realidade, quantos de nós ficamos em casa e não vamos votar? Quantos de nós contribuímos para eleger líderes que não nos representam? Líderes que não trazem à mesa temáticas tão pertinentes como o racismo, a discriminação e o preconceito? 

Há uma forte carência de líderes que nos representam. Num país tão diverso e multicultural como é o caso paradigmático de Portugal, onde basta entrarmos no metro para vermos pessoas de todas as cores e feitios. Como é que em pleno 2020 essa diversidade não está refletida nas mais variadas esferas da sociedade? Parlamentos em que 99% dos deputados são brancos. Os debates na televisão têm 100% de comentadores brancos. 99% dos apresentadores são brancos. Nas telenovelas, 99% dos papéis que são atribuídos aos negros são de seguranças, empregados de mesa ou empregadas domésticas que dizem YES SR a tudo! Esta é a colonização atual que não me canso de denunciar, sempre que me dão palco, vez e voz. 

 …. to be continued

 

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